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Entrevista com Bill Morrison - Distopias do Tempo

Por Bárbara Bergamaschi

Os filmes de Bill Morrison são conhecidos como odes à beleza da decomposição do nitrato de celulose e também um memento mori - lembrete recorrente da nossa mortalidade, uma reflexão sobre a fragilidade humana. Muitos de seus filmes "ascendem" do subterrâneo para cair no colo do diretor, que atua como uma espécie de Orfeu do século XXI. Entretanto, agora a Eurídice de Morrison não é mais representada por uma mulher da antiga mitologia, mas sim pelas amadas imagens de um cinema em vias de desaparecer. São os casos de Dawson City: Frozen Time (2016) e os mais recentes filmes lançados durante a pandemia, Sunken Films (2020) e The Village Detective - A Song Cycle (2021), feitos com material de latas encontradas enterradas no gelo do Canadá e nas profundezas do mar vulcânico da Islândia.


Nesta entrevista inédita para a Revista da Eco-Pós, conversamos com Morrison sobre as especificidades de sua obra, em especial em um momento no qual o tema da mortalidade se tornou mais sensível, tempo em que vivemos sob a ameaça constante do vírus SARS-COVID-19. Nessa entrevista o diretor reflete, em especial, sobre as lutas por direitos civis - como o movimento do Black Lives Matter - e como elas não se cansam de se repetir na história do ocidente.


A cinematografia de Morrison é também marcada por estranhas coincidências. Morrison possui uma metafísica muito peculiar para encarar o encontro com o material de arquivo e a passagem do tempo. Nesta entrevista, veremos também como muitos dos filmes deste cineasta-arqueólogo-pintor são marcados pelo acaso, pelos desígnios do destino, e por uma filosofia mística e romântica que acompanha o diretor desde o início de sua carreira. Morrison, explora os limites entre arte e vida, demonstrando que é difícil determinar em qualponto um reflete ou cria o outro. Em sua cinematografia, o cinema surge como um duplo agente - é a principal testemunha mas também o melhor detetive para compreender o século XX. Se trata de uma "hantologia" cinematográfica (para usar o termo de Derrida) no lugar de uma ontologia.


A conversa foi realizada no dia 22 de maio de 2020. Disponível na integra na Revista Eco-Pós DOI:



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